sexta-feira, 10 de julho de 2009

Nada melhor do que abrir os trabalhos do blog falando de um tipo de cinema que por muitos (leigos, talvez) é visto como inferior, o próprio cinema nacional. Assim, ao contrário do que muitos pensam, há sim produções de qualidade feitas em terras tupiniquins, como por exemplo, o belo e poético Lavoura Arcaica, o real Tropa de Elite, e o top de linha Cidade de Deus. A lista de filmes realizados é enorme, em diferentes épocas e contextos.
Minimizando a intenção do post, a análise recai sobre apenas um único filme, o qual eu tive a oportunidade de assistir na universidade logo em que a ingressei, denominado O Céu de Suely. O filme, resumidamente, apresenta a situação de uma mulher - pertencente as classes pobres -chamada Suely, a qual possui uma filha de um cara anônimo que a largou. Suely, vivendo (desculpem) não me lembro em que parte do Brasil, retorna para sua terra natal para tentar conseguir dinheiro para realizar seu novo plano, ir tentar a vida, agora, em Porto Alegre. Nesse meio tempo, ela reencontra seu antigo amor, pelo qual ainda sente algo.
Característico de sua condição econômica, a falta de perspectiva permeia todo o filme, levando a protagonista a rifar seu corpo para transar por uma noite noite ao homem que ganhar o sorteio. E esse aspecto que torna o filme sensacional e que comentarei aqui de uma perspectiva pessoal.
Essa situação por qual a portagonista se propõe é caracterítica da já comentada falta de perspectiva existentes nas classes sem dinheiro, demonstrando a realidade crua, bruta e REAL. A necessidade de, de um ponto de vista conservador, mas ao mesmo tempo dignificador, autovender-se fisicamente é condição que gera uma (in)visível humilhação perante os demais moradores de sua localidade. Outro aspecto relevante, é a impossibildade da realização do amor entre seu antigo namorado e a própria Suely, onde se percebe a inexistência de alguma possibilidade de concretização da subjetividade dos personagens, tornando suas vidas, sem dúvida, piores. No filme, vemos a situação de apenas um indivíduo, mas pode-se sim estender essa perspectiva a coletividades discriminadas.
Por fim, o filme é isso mesmo o que vocês devem estar pensando, baixando de tom a linguagem agora, quem é pobre quase sempre se fode, não sendo uma realidade presente na cabecinha de pessoas mais ricas. Mas com essas eu não me importo, porque eu sei que não assistiram ao filme mesmo.
Começou...

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