Esta tarde chuvosa na cidade me leva necessariamente a fazer algo de que mais gosto, assistir um filme, é claro. Entre as opções só se encontram alguns filmes-cabeça os quais possuo, pô mas até em uma tarde chuvosa esses filmes não me largam. Tudo bem, eu tenho uma relação amorosa com eles.
Nessa linha, a escolha da vez é Babel, filme realizado em 2006, direção de Alejandro Iñárritu.
Pode-se dizer que esse sim é um filme inteligente, na medida em que mescla dois aspectos humanos, um geral, que trata da globalização e das diferenças culturais e suas conseqüentes incomunicabilidades, outro restrito, que toca agora na questão das relações familiares. Primeiramente, no que toca ao fenômeno da globalização, o filme se constrói amplamente a partir de ato inicial que desencadeara as outras ações, essas todas ligadas, de alguma maneira, entre si. É nessa seqüencia de atos que se revela a intenção do filme em levantar um debate a cerca do fenômeno globalizatório, acerca especificadamente do que de homogêneo (ou não) essa construção social humana tem. O que seria mais forte, as diferenças culturais, e conseqüentemente suas catástrofes também humanas, que ocorreriam devido a incomunicabilidades coletivas, ou a pretensa homogeneidade entre elas? Em síntese, a questão geral é essa.
Mas, há o outro aspecto, o mais restrito aquele, que como já disse fala sobre pais e filhos, filhos e pais. Ah, pra isso não a ordem de importância.
Dentro da perspectiva geral, outra se impõe, e na minha opinião há a mão do diretor no sentido de ar mais importência a essa característica. Nas diversas culturas apresentadas (japoneses, marroquinos, americanos e mexicanos), cada uma relacionada a sua contribuição para a história, apresenta, se se tiver um olhar mais aguçado para perceber, uma problemática familiar envolvida. A mãe que quer ver seu filho casar-se, o casal em crise devido a morte de um filho, a japonesa que não se relaciona bem com seu pai devido a morte da mãe e, por fim, o pai e dois filhos marroquinos que, por um erro infantil e quase faltal, fazem o filme desenvolver-se. Todas essas percepções tem por função colocar uma discussão minimalista dentro de um fenômeno mundial, mas nem por isso o filme perde em qualidade.
Há uma afirmação da subjetivida humana dentro de algo mais amplo, mas pode-se ir mais além, e perceber que essa mesma subjetividade será mais importante sempre. A cena final não me deixa mentir.
Finalizando, não irei desenvolver o filme todo aqui. Mas de já adverto, Babel é um filme espetacular, que exige inteligência e coração aberto do espectador.
Como eu queria escrever um livro sobre esse filme...
:D
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